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domingo, 4 de julho de 2010

Copa do Mundo: o Traço da Paixão

por Gabriel Cruz, redação ONNE

Conheça os 19 cartazes representativos de todas as Copas


São Paulo, julho de 2010 - Se o futebol vem mudando, seja nas regras, táticas, uniformes e até nos times, uma tradição histórica segue inabalável no universo das Copas do Mundo. Desde a sua primeira edição, no distante ano de 1930, no Uruguai, a organização do Mundial produz um cartaz especial que ilustra cada torneio. A cada quatro anos um modelo é escolhido entre vários projetos propostos para representar o maior torneio futebolístico do mundo. Confira a evolução dos cartazes das Copas até o da 19ª edição, que está rolando na África do Sul.
(Foto: Divulgação)

1930 - Uruguai


O cartaz da Copa de 1930 foi criado por Guillermo Laborde e traz um design arrojado com linhas e cores extravagantes. O belo desenho mostra uma defesa de goleiro e vem com o nome do país sede e a data que aconteceu o torneio. O Brasil teve apenas desempenho razoável na Copa, ficando apenas na 6ª colocação. A competição terminou com o Uruguai, donos da casa como campeões.
(Foto: Divulgação)

1934 - Itália


O Mundial seguinte, realizado em 1934, na Itália, foi representado por esse cartaz que mostra um jogador com a camisa azul italiana e bandeiras dos países participantes da segunda edição, entre eles, nota-se a bandeira do Brasil ao fundo. O torneio, que ocorreu de 27 de maio a 10 de junho, consagrou a Itália como campeã mundial e a seleção brasileira acabou eliminada ainda na primeira fase, após derrota de 3x1 para a Espanha.
(Foto: Divulgação)

1938 - França


A terceira edição da Copa do Mundo, realizada em 1938, na França, trouxe esse cartaz para representar a competição. Em uma época tensa, com conflitos inevitáveis que desencadearam a 2ª Guerra Mundial, o pôster colocou o mundo como o campo a ser dominado pelos jogadores que participariam do torneio. A Itália conquistou o seu segundo título mundial e o Brasil teve pela primeira vez na história o artilheiro da competição: Leônidas, com oito gols.
(Foto: Divulgação)

1950 - Brasil


Após 12 anos sem a realização da competição, o Brasil foi o país escolhido para sediar a Copa do Mundo de 1950. O cartaz do evento representava a união dos países participantes com as bandeiras formando o meião do jogador. O responsável pelo desenho retratou também o Pão de Açúcar, um dos cartões postais do Rio de Janeiro. O resultado da Copa quase todo mundo conhece: Uruguai campeão após vitória por 2x1 frente ao Brasil, no episódio conhecido como Maracanazo.
(Foto: Divulgação)

1954 - Suiça


Para a Copa do Mundo de 1954, realizada na Suiça, o cartaz representativo da competição trazia mais uma vez um goleiro. Mas, dessa vez, o arqueiro não conseguiu fazer a defesa e aparece com a cara angustiada pelo gol tomado. Destaque para as cores extravagantes, com predominância do laranja, azul e amarelo. A quinta Copa da história foi conquistada pela Alemanha Ocidental frente a Hungria. O Brasil chegou apenas na sétima posição.
(Foto: Divulgação)

1958 – Suécia


O Mundial de 1958 ocorreu durante o mês de junho na Suécia. O cartaz oficial da Copa trouxe pela última vez as bandeiras dos países participantes retratadas. Destaque também para o nome da tão cobiçada taça Jules Rimet escrita em verde na parte inferior do pôster. A competição foi conquistada pelo Brasil graças principalmente a dois jogadores que já despontavam como grandes promessas: Pelé e Garrincha. A final foi um sonoro 5x2 frente aos anfitriões da competição.
(Foto: Divulgação)

1962 – Chile


A Copa do Mundo de 1962 no Chile trouxe um cartaz muito interessante. Em meio ao auge da Guerra Fria, o pôster retrata as pesquisas tecnológicas para enviar o homem ao espaço, com a bola orbitando no lugar da Lua. O Brasil fez bonito mais uma vez e conquistou novamente a competição vencendo a Tchecoslováquia na final por 3x1 no Estádio Nacional.
(Foto: Divulgação)

1966 – Inglaterra

A oitava Copa do Mundo da história foi realizada na Inglaterra durante o mês de junho. O cartaz foi o primeiro a ter a presença do mascote do torneio: o simpático leãozinho Willie usando as cores da seleção dona da casa. O Brasil não fez uma boa Copa do Mundo, sendo eliminado ainda na primeira fase da competição. Com Pelé machucado, o caminho ficou livre para as seleções européias brigarem pelo título. A Inglaterra ganhou da Alemanha Ocidental por 4x2.
(Foto: Divulgação)

1970 – México


O México sediou a nona edição da Copa do Mundo e apresentou um cartaz em que a bola ganhou destaque especial. As cores e linhas do “México 1970” foram uma revolução no estilo dos cartazes feitos até aquele mundial. O torneio premiou o Brasil como o primeiro tri-campeão do Mundo. Na final, um incontestável 4x1 contra os italianos garantiram a posse definitiva da Taça Jules Rimet.
(Foto: Divulgação)

1974 – Alemanha


O cartaz da Copa da Alemanha também foi destaque pelo estilo exótico. O desenhista brincou com as cores e fez um jogador a partir de pinceladas coloridas. Ele utilizou um fundo preto e colocou informações sobre a competição em diferentes línguas.  A competição vencida pela anfitriã Alemanha Ocidental, não teve bom desempenho da seleção brasileira, que, sem os craques de 1970, ficou apenas na quarta colocação.
(Foto: Divulgação)

1978 – Argentina


A Argentina foi o país responsável por sediar a Copa do Mundo de 1978. O cartaz retrata o momento mais importante do futebol: a comemoração de um gol. Com cores e design diferentes, o cartaz sem dúvidas é um dos mais bonitos já produzidos. Destaque também para as cidades sedes que receberam um cantinho especial. A Argentina ganhou a final da Holanda e conquistou pela primeira vez uma Copa do Mundo.
(Foto: Divulgação)

1982 – Espanha


Uma pintura no estilo surrealista do artista catalão Joan Miró foi usada para ilustrar o cartaz da 12ª edição da Copa do Mundo. A competição ocorreu durante os meses de junho e julho na Espanha e foi vencida pela Itália. Na final, os italianos venceram a Alemanha Ocidental. De quebra, a seleção italiana ainda teve o destaque da Copa, Paolo Rossi, que marcou seis gols e foi carrasco do Brasil na fase de grupos do torneio.
(Foto: Divulgação)

1986 - México


16 anos mais tarde, o México voltou a sediar uma Copa do Mundo. A principio, a competição seria disputada na Colômbia, mas o país não pôde receber o torneio por motivos econômicos. O belo cartaz retratou a tradição asteca através de um monumento característico do povo que habitou o México séculos atrás. Destaque também para a sombra de um jogador e uma bola, referência ao futebol. O mundial disputado entre os meses de maio e junho foi conquistado pela Argentina. O Brasil foi eliminado pela França nos pênaltis e acabou em 5º lugar.
(Foto: Divulgação)

1990 – Itália


Para a Copa do Mundo de 1990 o artista retratou o Coliseu de Roma, um dos principais cartões-postais da Itália, no cartaz do torneio. Um detalhe interessante são as bandeiras das seleções participantes que formam um campo de futebol, bem ao meio do pôster. A 14ª competição mundial da história reuniu 24 países e, na final, a Alemanha venceu a Argentina por 1x0. O Brasil não fez uma boa competição e foi eliminado pelos nossos hermanos nas oitavas-de-final.
(Foto: Divulgação)

1994 – Estados Unidos


Apesar da pouca tradição no futebol, os Estados Unidos recebeu a 15ª edição da Copa do Mundo. Para o cartaz, o artista retratou um momento histórico para o país americano: a chegada do homem à lua. O Brasil venceu a competição após 24 anos de jejum em uma final emocionante frente à Itália. Após um insistente 0x0 no tempo normal, os brasileiros venceram na disputa por pênaltis. De quebra, a seleção brasileira teve o craque da competição. Romário, que marcou cinco gols na Copa, conquistou o prêmio Chuteira de Ouro.
(Foto: Divulgação)

1998 – França


A França foi o país escolhido para sediar a Copa do Mundo de 1998. Para representar a alegria do povo francês que recebia a competição após 60 anos, o artista responsável pelo cartaz retratou um estádio com muitas cores e formas. O torneio ocorreu entre os meses de junho e julho e consagrou um novo campeão mundial: a França. Na final a anfitriã não tomou conhecimento da seleção brasileira e venceu com um incontestável 3x0.
(Foto: Divulgação)

2002 – Coreia do Sul e Japão


Pela primeira vez na história, o continente asiático recebeu a competição mundial. Com uma sede conjunta entre Coreia do Sul e Japão, a Copa do Mundo aconteceu entre os meses de junho e julho e mais uma vez um campo de futebol foi retratado no cartaz oficial do torneio. Destaque para os detalhes com as cores do logo oficial feito para a competição. O Brasil conquistou o quinto título mundial na final contra a Alemanha, com dois gols de Ronaldo, artilheiro da Copa.
(Foto: Divulgação)

2006 – Alemanha


A 18ª edição da Copa do Mundo foi realizada na Alemanha entre os meses de junho e julho. O cartaz foi um dos mais bonitos já produzidos na história dos mundiais. A bola desenhada a partir da ligação das estrelas representa a unificação alemã. A Itália venceu a França em uma final polêmica, com o craque Zidane expulso após agressão em um zagueiro italiano. O Brasil caiu mais uma vez nas quartas-de-final e o algoz foi novamente a seleção francesa.
(Foto: Divulgação)

2010 – África do Sul


O continente africano entrou em festa após o anuncio que a 19ª edição da Copa do Mundo seria na África do Sul. É a primeira vez que o torneio acontece em solo africano. Para comemorar, o artista criou um belo cartaz com a figura de um homem negro que acaba com os traços do continente africano. A competição acontece entre os meses de junho e julho, infelizmente o Brasil foi eliminado nas quartas de final, ao perder o jogo contra a Holanda, por 2x1. Não foi dessa vez que a seleção canarinho conquistou o hexacampeonato.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

As lutas da Associação Brasileira de Radiodifusão, ABRAÇO.















NOSSO PLANO DE LUTA

1. Fortalecer o movimento e o serviço de rádiodifusão comunitária, lutando por:

1.1 - Sustentabilidade;
1.2 - Aumento da Potência de Transmissão;
1.3 - Fim do canal único de freqüência;
1.4 - Zoneamento de freqüências;
1.5 - Contra a cobrança do ECAD;

2. Pela legalização das emissoras e um processo menos burocratizado;

3. Por políticas públicas de inclusão digital;

4. Por uma sistema de Rádio Digital Nacional;

5. Pelo controle social dos processos e outorgas das Rádios Comunitárias;

6. Pela Democratização dos meios de comunicação;

7. Que o serviço de TV Comunitária também esteja em canal aberto.

domingo, 8 de novembro de 2009

Música para todos os ouvidos...

Movimento Música Para Baixar fecha parceria com Abraço

Documento foi assinado por Everton Rodrigues (movimento Música Para Baixar), José Sóter (coordenador nacional da Abraço), Renato Rovai (do Fórum de Mídia Livre), Josué Franco Lopes (dirigente da executiva nacional da Abraço) e diversas rádios comunitárias presentes no evento.


Leia o documento abaixo:

Parceria entre Movimento Música para Baixar - MPB e Associação Brasileira de Rádios Comunitárias - Abraço

Brasília, 09 de outubro de 2009

A Abraço e o MPB resolvem:

Como resultado do painel "Debate sobre direito autoral nas rádios comunitárias" realizado durante o 1º Seminário Rede Abraço de Rádio Comunitária, resolvemos encaminhar parceria entre a Abraço e o Movimento Música Pra Baixar, com o objetivo de veicular músicas do MPB nas emissoras a ela associadas, valorizando sempre a música local.

A Abraço e o MPB convidarão o projeto culturadigital.br para participar da implementação desta proposta, que visa:

Criar um agregador com interface de pesquisa para músicas com licenças livres e articuladas com o movimento MPB, ou seja, um repositório de música livre.
Organizar bancos de músicas já existentes e disponibilizar espaço na rede para hospedar as demais.
Permitir que os usuários (as) não só possam subir as músicas, como indexá-las e classificá-las.
Notificar o ECAD para aceitar as licenças Creative Commons, para evitar o repetitivo trabalho de cada artista avisar que suas músicas serão livres para tocar nas rádios comunitárias.
Estimular os artistas locais,a licenciarem suas obras em Creative Commons para execução nas rádios e TVs comunitárias.

domingo, 23 de agosto de 2009

Um pouco de Poesia!








Porque é que este sonho absurdo


a que chamam realidade


não me obedece como os outros


que trago na cabeça?






Eis a grande raiva!


Misturem-na com rosas


e chamem-lhe vida.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Favela. De onde veio este nome?

Pequeno Dicionário das Favelas
Texto adaptado de Marcelo Monteiro

O nome de uma favela pode ter raízes religiosas (Santa Marta), geográficas (Grota), poéticas (Babilônia). Pode ser uma homenagem a uma personalidade importante (Vigário Geral), um agrado a um político (Vila do João) ou apenas uma brincadeira (Kinder Ovo). E pode ainda ter dois significados diferentes (Rocinha). Mas tem sempre uma explicação.

O termo favela nasceu no Centro do Rio, com o Morro da Favela. E pegou quando outros barracos de zinco começaram a ser construídos em comunidades do Centro e da Zona Sul. Aí virou substantivo e se espalhou pela cidade. Nos anos 40 eram apenas 60 favelas. Hoje são mais de 600. E haja criatividade.

Nem sempre o nome é motivo de orgulho para os moradores. Mas depois que ele vinga não adianta querer voltar atrás. Entre as maiores fontes de inspiração está a televisão. A favela Salsa e Merengue, por exemplo, foi criada em 1996 - época da novela homônima da Rede Globo. Já Minha Deusa foi batizada em homenagem à atriz Vera Fischer, aJocasta da novela Mandala.

Os moradores mais antigos têm sempre uma explicação. Nem sempre unânime. Mas o que importa não é a veracidade das histórias, e sim sua aceitação.

E, para nós, o que é "Favela"?

Observatório de Favelas disponibiliza textos do seminário

O Observatório de Favelas do Rio de Janeiro (OF/RJ) está disponibilizando em seu site o Caderno de Textos produzido para o seminário "O que é a favela, afinal?". O caderno reúne textos de dez pesquisadores sobre o tema, dentre eles Fernando Cavallieri, do Instituto Pereira Passos (IPP), Cristovão Duarte, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Marcelo Baumann Burgos, da PUC-RIO.Promovido pelo OF/RJ em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o seminário, realizado nos dias 19 e 20 de agosto, contou com a presença de pesquisadores e especialistas de 15 instituições do Brasil.Para ter acesso aos textos, basta clicar no link:
http://www.observatoriodefavelas.org.br/observatoriodefavelas/includes/publicacoes/164308ca4eebfdf4fd62ab414e0ad4fb.pdf

>> circulando << O que é Favela, afinal?


Desde a sua criação, o Observatório de Favelas vem buscando estabelecer novos modos de apreensão do fenômeno da favelização. Este empenho se origina a partir do reconhecimento de que a representação das favelas - e de seus moradores - orienta políticas e projetos que, na maioria das vezes, se fundamentam em pressupostos equivocados, em geral superficiais, baseados em estereótipos que não permitem uma compreensão aprofundada sobre a realidade social, econômica, política e cultural em sua totalidade e complexidade.A diversidade das formas e das dinâmicas sociais, econômicas e culturais, também tem sido um desafio na compreensão do que é uma favela e, por conseguinte, na definição de parâmetros universais que orientem uma definição mais precisa.Com efeito, por se tratar de um fenômeno diverso e complexo, e ao mesmo tempo marcado por forte estigmatização, observa-se que os pressupostos centrados em parâmetros negativos têm sido utilizados como referência hegemônica na representação social e na elaboração de definições mais concisas sobre o fenômeno. Estes pressupostos se sustentam em torno das idéias de ausência, carência e homogeneidade, e tomam como significante aquilo que a favela não é em comparação a um modelo idealizado de cidade: “a favela não possui arruamento regular”; “a ocupação é ilegal”; “não há oferta formal de serviços públicos”; dentre outros exemplos.Nós compreendemos que as favelas constituem moradas singulares no conjunto da cidade, compondo o tecido urbano, estando, portanto, integrado a este, sendo, todavia, tipos de ocupação que não seguem aqueles padrões hegemônicos que o Estado e o mercado definem como sendo o modelo de ocupação e uso do solo nas cidades. Estes modelos, em geral, são referenciados em teorias urbanísticas e pressupostos culturais vinculados a determinadas classes e grupos sociais hegemônicos que consagram o que é um ambiente saudável, agradável e adequado às funções que uma cidade deve exercer no âmbito do modelo civilizatório em curso.O processo de urbanização brasileiro revela que os marcos do ordenamento territorial é que foram sendo ajustados aos modelos de ocupação – e não o contrário -, salvo o caso das “cidades planejadas”, a exemplo de Brasília. Todavia, ao longo dos anos, e do processo de regulação da vida social estabelecidos pelo Estado, os assentamentos em favelas, por suas características morfológicas, e também por sua composição social, foram sendo relegados ao lugar da ilegalidade e da desconformidade com as normatizações que foram criadas pelos grupos hegemônicos que exerciam o poder político e econômico nas cidades.Em função disso, acreditamos que uma definição de favela não deve ser construída em torno do que ela não possui em relação ao modelo dominante de cidade. Pelo contrário, elas devem ser reconhecidas em sua especificidade sócio-territorial e servirem de referência para a elaboração de políticas públicas apropriadas a estes territórios. Este reconhecimento já vem sendo realizado, em parte, por meio do Estatuto da Cidade, que define as favelas como áreas de especial interesse, que necessitam de uma regulação própria baseada na sua materialidade dada. É da concretude da sua morfologia que se estabelecem as referências possíveis do que é compreendido como uma morada digna, dotada das condições necessárias para o bem-estar e o bem-viver. Enfim, uma morada onde grupos que se aproximam por valores, práticas, vivências, memórias e posição social, construam sua identidade como força de realização de suas vidas.O Observatório de Favelas, portanto, considera que a favela é um território constituinte da cidade caracterizada, em parte ou em sua totalidade, pelas seguintes referências:- insuficiência histórica de investimentos do Estado e do mercado formal, principalmente o imobiliário, financeiro e de serviços;- forte estigmatização sócio-espacial, especialmente inferida por moradores de outras áreas da cidade;- níveis elevados de subemprego e informalidade nas relações de trabalho;- edificações predominantemente caracterizadas pela autoconstrução, que não se orientam pelos parâmetros definidos pelo Estado;- apropriação social do território com uso predominante para fins de moradia;- indicadores educacionais, econômicos e ambientais abaixo da média do conjunto da cidade;- ocupação de sítios urbanos marcados por um alto grau de vulnerabilidade ambiental;- grau de soberania por parte do Estado inferior à média do conjunto da cidade;- alta densidade de habitações no território;- taxa de densidade demográfica acima da média do conjunto da cidade;- relações de vizinhança marcadas por intensa sociabilidade, com forte valorização dos espaços comuns como lugar de encontro;- alta concentração de negros (pardos e pretos) e descendentes de indígenas, de acordo com a região brasileira;- grau de vitimização das pessoas, sobretudo a letal, acima da média da cidade.Consideramos que as ideias acima explicitadas devem ser referenciadas em torno de princípios que se fundamentem em uma cidade diversa, una e plural, e que orientem uma gestão metropolitana pautada pela justiça territorial. Compreender a cidade em sua pluralidade é reconhecer a especificidade de cada território e seus moradores, considerando-os como cidadãos que devem ter seus direitos sociais garantidos na forma de políticas públicas afeiçoadas a seus territórios. Trata-se de um princípio da validação plena da vida social, democraticamente orientada e configurada nos usos legítimos do território por grupos sociais marcados por profundas desigualdades sociais.
Observatório de Favelas

terça-feira, 4 de agosto de 2009

>> circulando <<

Hip hop é compromisso
por MV Bill
Semana retrasada fui surpreendido por denúncias irresponsáveis a meu respeito, numa tentativa de manchar minha imagem. Produziram um espetáculo aparentemente jornalístico que sugeria ser eu testa de ferro de empresas supostamente piratas, insinuando que desviei milhões de reais, quando não tenho sequer a minha própria empresa. E ainda tentaram induzir as pessoas a pensarem que o livro que escrevi era bancado por dinheiro público. O que é comprovadamente falso.
O fato de, numa relação comercial privada, eu usar uma mesma produtora que tem projetos com a Petrobras não permite a ninguém concluir que exista alguma triangulação, como não existe! Isso inclusive já foi confirmado pela própria estatal.
Só que miraram num alvo, mas acertaram no próprio pé. O curioso é que, depois, foi descoberto que a empresa questionada é uma agência da área artística reconhecida no mercado, tanto que boa parte da respeitável mídia - inclusive a "denunciante" - recorre a seus serviços. Que ironia...
Mas para mim o caso não está encerrado, pois o fato de eu não ter absolutamente nada com essa história, me motiva sim a contribuir para uma grande reflexão, aproveitando essa tentativa de maldade para trazer uma discussão de verdade.
Li muitos questionamentos e defesas de artistas sobre suas dificuldades para se manterem no mercado formal e legal. Li muito sobre o que hoje é quase um câncer que corrói praticamente todo o mercado cultural/artístico no Brasil: a necessidade de boa parte dos artistas e riadores precisarem de empresas que vivem da intermediação entre o patrocinador e a arte. Li sobre artistas que recorreram a essas agências culturais para formalizar seus shows que efetivamente ocorreram.
E para entender melhor esse problema procurei alguns profissionais da área tributária e, entre outras coisas, pude concluir que não existe dados sobre o impacto da cultura brasileira no PIB nacional, ou seja, não existimos formalmente.
Entendi que nós, profissionais autônomos, pagamos sobre o valor do serviço prestado 11% de INSS, 5% de ISS e ainda Imposto de Renda, de acordo com tabela. Além disso, todas as essoas jurídicas que nos contratarem deverão recolher mais 20% sobre o total do cachê para o INSS, independentemente do valor do serviço, e ainda correr o risco de haver caracterização de vínculo empregatício.
Entretanto, não é vantagem para nenhum trabalhador permanecer no mercado informal, não há auxílio doença, aposentadoria, e nem são garantidos os benefícios dos contratados com carteira: férias, gratificação de um terço do salário nas férias, descanso remunerado, décimo terceiro, pagamento de hora extra, FGTS, etc.
Na verdade, um trabalhador informal acaba ficando à margem das estatísticas e da realidade da classe trabalhadora brasileira, lembrando que a categoria de trabalhadores de "carteira assinada" sempre se destacou como minoria. No caso de profissionais ligados à cultura, essa situação ainda piora quando observamos que, além do indiscutível excesso de tributos, possuímos algumas características que, de acordo com as regras do jogo, contribuem ainda mais para elevar o custo de uma possível contratação, como, por exemplo, o fato de que a maioria desenvolve suas atividades em horário noturno e aos finais de semana. Diante dessa realidade, podemos afirmar que, do ponto de vista financeiro, é praticamente impossível contratar um profissional da área cultural através de registro em carteira.
Outra característica é que as funções exercidas pelos profissionais ocorrem em períodos determinados e dificilmente são de ação continuada, inviabilizando sua contratação nesse formato.
Toda essa instabilidade obviamente intimida a abertura de empresas próprias, principalmente se pensarmos nas dificuldades para se abrir uma empresa e mantêla em funcionamento neste país. E olha que nem estou falando dos artistas iniciantes, que em geral trabalham para divulgar, não por cachê, mas que estão submetidos às mesmas regras, incluindo pagamentos de músicos e todos os encargos inerentes à atividade.
Mas é bom deixar claro que as coisas ditas por mim não são motivos para burlar a legalidade; pelo contrário, ela precisa ser a nossa meta, sempre. Tenho nítido que, como cidadão, espero sempre que o dinheiro público seja bem aplicado, mas não podemos esconder que quem trabalha no meio artístico acaba meio órfão, sem ter uma regulamentação própria para seguir, tendo que se adaptar a uma realidade que não é sua. Portanto, convido todos os que pensam cultura neste país, em especial os parceiros das secretarias e do Ministério da Cultura, para juntos levarmos essa discussão adiante, sem eleger um bode expiatório, mas sim construir uma nova lógica para a cultura brasileira.
De certa maneira, agradeço o mal que tentaram fazer comigo, pois a conclusão a que chego é que, ao mesmo tempo em que fiquei indignado por meu nome ter surgido num rolo que não me diz respeito, sinto muito orgulho por ser um artista/militante discriminado por sua origem social, mas que está tendo mais uma vez a coragem e a responsabilidade de botar o dedo na verdadeira ferida da cultura brasileira.

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MV Bill é cantor de rap, escritor e um dos fundadores da Central Única de Favelas (Cufa)
Fonte: Jornal O Globo de 02 de agosto de 2009