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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Cidade Escola Aprendiz... a gente faz parte!!!


Por Desirèe Luíse

Do Site Cidade Escola Aprendiz. Publicado em 22/09/2010


O Recife (PE) pretende implantar projetos de educação integral como uma política pública do município. Até 2012, as 300 escolas da capital pernambucana deverão contar com programas para estimular ações que integrem a comunidade e instituições de ensino, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação de Recife.
Para isso, o órgão do governo desenvolve — em parceria com a Associação Cidade Escola Aprendiz — um projeto piloto em duas escolas dos bairros Coque e Pilar, ambas na região central do município. Desde abril, o chamado Programa Bairro-Escola Recife acontece na Escola Municipal José da Costa Porto e na Escola Municipal Nossa Senhora do Pilar. A ideia é transformar a comunidade em um ambiente de aprendizagem, ampliando os limites das salas de aula e fazendo da educação pública uma responsabilidade coletiva.
O projeto está em fase de mobilização e articulação local. Segundo o secretário Municipal de Educação, Cláudio Duarte, o primeiro passo é aumentar a colaboração entre dirigentes, professores, pais e alunos das escolas, além de estimular a interação entre os colégios e a comunidade.
“Já percebemos maior integração desde o início do projeto. Geralmente, a visão que cada um deve apenas cuidar do que lhe diz respeito é forte, mas as escolas estão se abrindo mais às manifestações da própria comunidade”, avalia Duarte. “É fundamental mobilizar e identificar valores sociais, culturais e os potenciais do entorno. Quando a comunidade é ativa, a escola funciona melhor, o professor falta menos e a gestão é mais presente”, completa.
O gestor local do Bairro-Escola Recife, Gerson Flávio, observa que o diálogo é mais fácil em comunidades que já estão mobilizadas. “Sentimos mais facilidade no Coque, por exemplo, porque já existe um histórico da comunidade com organizações que atuam no bairro. São 12 ONGs presentes há anos”.
Quinzenalmente, acontecem as oficinas do grupo articulador local. Os encontros reúnem diversos segmentos da comunidade nas duas escolas: gestores, animadores culturais, professores, pais, alguns alunos e líderes comunitários.
Além disso, em parceria com a ONG Auçuba Comunicação e Educação, são realizadas oficinas semanais de comunicação comunitária. Podem participar estudantes das escolas e adolescentes da comunidade interessados.
Para o final de novembro, os articuladores locais estão preparando uma mostra cultural. O evento vai durar uma semana e ocorrerá tanto no Coque quanto no Pilar. O projeto também prevê a criação de agências de notícias comunitárias na Internet, para divulgar informações sobre os moradores e acontecimentos nos bairros.
“Experiências de educação integral ainda são pontuais. Queremos disseminar a prática do bairro-escola. Uma dificuldade é a orientação política de cada gestão municipal. O processo político é complexo”, revela o secretário. Para ele, é fundamental produzir avaliações estruturadas dos projetos que demonstrem resultados. Assim, ele avalia que outros governantes poderão perceber a eficácia de iniciativas relacionadas à educação integral no país.
No próximo ano, a meta da secretaria é implantar o Programa Bairro-Escola em no mínimo quatro micro regiões do Recife – cada micro região é composta por cerca de quatro bairros.

Bairro do Pilar

O Coque e o Pilar são áreas pobres da capital pernambucana. Na segunda, a Prefeitura do Recife está construindo conjuntos habitacionais. Com o Programa de Requalificação Urbanística de Inclusão Social da Comunidade do Pilar, cerca de cem famílias foram desalojadas.
“Mexe com a vida da comunidade. Ocorre evasão escolar, pois o aluno tem que sair da região para morar mais longe”, afirma Gerson. “Estamos atuando também neste contexto, pois o processo de negociação é denso”.
Às quintas-feiras, o governo municipal e os integrantes do Bairro-Escola Recife tem feito reuniões nas obras do conjunto habitacional. O objetivo é trabalhar na tentativa de promover um diálogo entre o grupo governamental e a comunidade.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Um ensinamento para os políticos...

Quando a obra dos melhores chefes fica concluída, o povo diz: fomos nós que a fizemos.

                                                     Lao Tse

quinta-feira, 25 de março de 2010

Vocês que nos visitam... querem conversar?


Dia após dia, estamos abrindo as portas de nossas casas para os funcionários da Prefeitura da Cidade do Recife. São funcionários da URB, da Codecir... E o diálogo real com a PCR continua restrito aos momentos de festança e foguetório de quando o prefeito João da Costa pisa por lá - sempre estacionando o carro ao lado dos muros da fábrica de biscoitos e massas Pilar e chegando diretinho pra subir ao palanque.
Nunca, nunquinha, o distinto senhor e prefeito fez, à exemplo do seu antecessor, João Paulo, um momento de escuta da Comunidade.
É gente, a gente sabe que o projeto já foi mostrado e explicado pela prefeitura (na outra gestão), mas foi isto, só: mostrar e explicar. Não nos perguntaram se o projeto era satisfatório, não nos convidaram para participar de sua elaboração, não nos procuram para atualizar informações sobre o projeto...
Desde quando o projeto foi re-anunciado o que mais acumulamos é dúvidas...
Quem vai tirá-las?
E, aliás, há gente incomodada com nossas dúvidas...
Ter dúvidas é socialmente condenável? Um bom cidadão não deve ter dúvidas? E confiar cegamente em tudo o que lhe dizem?
Participação Social é quando uma multidão se reune pra escutar e... só?!?
Participação não é também "perguntar", "entender", "fazer junto"... Ou a participação que o governo está propondo é no "modo lagartixa"? O prefeito fala... e a gente balança a cabeça dizendo que "sim"...
Não!
Não... E não...!
A gente tem dúvidas e quer tirá-las.
A gente tem sonhos e quer buscá-los...
A gente tem idéias e quer vê-las consideradas no projeto da "Nova Comunidade do Pilar"...
Comunidade só pode existir com gente, atuante, e respeitada em seus direitos, inclusive, o direito de falar, de opinar... Senão o que a prefeitura estará fazendo é um monte de prédios que não vão chegar nunca a formar uma "comunidade".

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Vamos contar nossa História?

RÁDIO COMUNITÁRIA DO PILAR


O que é o Projeto “Comunicação e Memória: a comunidade do Pilar reescrevendo a sua História”?

Nossa comunidade está localizada no bairro mais antigo da cidade, o Bairro do Recife. Durante toda a sua existência, a Comunidade do Pilar enfrentou precárias condições de saneamento básico, iluminação pública, além das dificuldades de acesso à saúde (o Posto se localiza fora da comunidade) e à Educação (a única Escola Municipal não atende toda a procura da população).

Apesar das dificuldades, a Comunidade do Pilar tem uma história de resistência e lutas. É esta a História que nós, que fazemos a Rádio Comunitária do Pilar, sonhamos resgatar e queremos contar.

Não faz muito tempo, a Prefeitura da Cidade do Recife assinou, em parceria com o BNDES, um convênio que dá inícios às obras de revitalização da Comunidade. Nesse momento, localizamos a oportunidade de resgatar a nossa história, contá-la e, assim, conscientizar nossos jovens e também os adultos da Comunidade sobre a trajetória de lutas que construímos no coração do bairro histórico conhecido como “Recife Antigo”.

Além de conhecer e contar a nossa história, queremos registrar, compreender e acompanhar este processo de transição no jeito de viver de nossa comunidade que a revitalização vem trazendo, é por isso que consideramos importante nos COMUNICAR! Comunicando, queremos conhecer e formar, conhecendo e formando, queremos transformar nossas realidades. Assim, o projeto “Comunicação e Memória: a comunidade do Pilar reescrevendo a sua história” quer trabalhar a comunicação, a informação e a memória histórica como caminhos para a organização comunitária e a educação da juventude.

O que queremos com o Projeto?

Em primeiro lugar, queremos fortalecer a Comunicação (através da Rádio) como meio de formação e integração cultural da juventude da Comunidade do Pilar. E daí?

Daí que não queremos somente nos comunicar e comunicar cultura. Queremos agir comunicativamente! Significa que a própria comunicação já é uma ação! Isso nos fará promover e fortalecer a organização comunitária através do resgate e registro das memórias dos moradores da Comunidade do Pilar (nas nossas entrevistas, fanzines, programas de rádio, vídeos).

Uma das coisas centrais para compreender a nossa História e o momento que estamos vivendo (de transição com a revitalização) é justamente a nossa capacidade de produzir material de registro histórico sobre a Comunidade, a partir de nossa pesquisa e trabalho, contando nossa história em diversas linguagens: vídeo-documentário, fanzine, programas de rádio, internet.

Vamos também nessa nova fase da Rádio, criar, dentro da grade de programação, um programa sobre história e organização comunitária, e divulgar e acompanhar o andamento das obras de revitalização através de um trabalho comunicativo de múltiplas linguagens (internet, fanzine, rádio, vídeo-documentário).

Aliás, Já temos Comunidade de Orkut, Blog, Perfil Público e lista de e-mail’s...

Conecte-se!!! E seja Bem-vind@ ao Movimento!!!

Vamos fazer valer nossa voz!

domingo, 23 de agosto de 2009

Cadastro Único para Programas Sociais


O que é?
por ana.avila — Última modificação 23/04/2009 - 15:32

O Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), disciplinado pelo Decreto n° 6.135, de 36 de junho de 2007, e regulamentado pela Portaria nº 376, de 16 de outubro de 2008, é um instrumento de coleta de dados e informações com o objetivo de identificar todas as famílias de baixa renda existentes no país.
Devem ser cadastradas as famílias com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa. Famílias com renda superior a esse critério poderão ser incluídas no CadÚnico, desde que sua inclusão esteja vinculada à seleção ou ao acompanhamento de programas sociais implementados pela União, estados ou municípios.
O CadÚnico é constituído por sua base de dados, instrumentos, procedimentos e sistemas eletrônicos, e sua base de informações pode ser usada pelos governos municipais, estaduais e federal para obter o diagnóstico socioeconômico das famílias cadastradas. Dessa forma, o CadÚnico possibilita a análise das principais necessidades das famílias cadastradas e auxilia o poder público na formulação e gestão de políticas voltadas a esse segmento da população.
A coleta dos dados das famílias deve ser realizada por meio do preenchimento do formulário do CadÚnico. Cada formulário deve identificar apenas uma família.
Os cadastros são processados pelo Agente Operador do Cadastro Único (CAIXA), que é responsável por atribuir a cada pessoa da família cadastrada um número de identificação social (NIS) de caráter único, pessoal e intransferível.
Por meio do NIS os operadores do Cadastro Único poderão localizar as pessoas cadastradas, atualizar dados do cadastro, verificar a situação do benefício (caso exista) e realizar as ações de gestão de benefícios.
As principais informações das famílias cadastradas são:
características do domicílio (número de cômodos, tipo de construção, tratamento da água, esgoto e lixo);
composição familiar (número de componentes, existência de pessoas com, deficiência);
identificação e documentação de cada componente da família;
qualificação escolar dos componentes da família;
qualificação profissional e situação no mercado de trabalho;
remuneração; e
despesas familiares (aluguel, transporte, alimentação e outros).

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Agende-se!

PINTANDO EM CASA + BiblioBoca Mambembe

Dia 16 de Agosto, a partir das 9 horas (DOMINGO!!!)

Onde??? No Campo do Banco... Várzea.



E o RECIFERIA convida pra o dia 23 de Agosto no Skate Parque da Av. Caxangá, a partir das 14 horas (Hip Hop e etc. etc...!)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Reunião do Fundo de Apoio às organizações juvenis - JUL/2009














Estas são imagens da última reunião, onde socializamos os andamentos dos 17 projetos apoiados pelo Fundo de Apoio às Organizações Juvenis.

>> circulando <<

Hip hop é compromisso
por MV Bill
Semana retrasada fui surpreendido por denúncias irresponsáveis a meu respeito, numa tentativa de manchar minha imagem. Produziram um espetáculo aparentemente jornalístico que sugeria ser eu testa de ferro de empresas supostamente piratas, insinuando que desviei milhões de reais, quando não tenho sequer a minha própria empresa. E ainda tentaram induzir as pessoas a pensarem que o livro que escrevi era bancado por dinheiro público. O que é comprovadamente falso.
O fato de, numa relação comercial privada, eu usar uma mesma produtora que tem projetos com a Petrobras não permite a ninguém concluir que exista alguma triangulação, como não existe! Isso inclusive já foi confirmado pela própria estatal.
Só que miraram num alvo, mas acertaram no próprio pé. O curioso é que, depois, foi descoberto que a empresa questionada é uma agência da área artística reconhecida no mercado, tanto que boa parte da respeitável mídia - inclusive a "denunciante" - recorre a seus serviços. Que ironia...
Mas para mim o caso não está encerrado, pois o fato de eu não ter absolutamente nada com essa história, me motiva sim a contribuir para uma grande reflexão, aproveitando essa tentativa de maldade para trazer uma discussão de verdade.
Li muitos questionamentos e defesas de artistas sobre suas dificuldades para se manterem no mercado formal e legal. Li muito sobre o que hoje é quase um câncer que corrói praticamente todo o mercado cultural/artístico no Brasil: a necessidade de boa parte dos artistas e riadores precisarem de empresas que vivem da intermediação entre o patrocinador e a arte. Li sobre artistas que recorreram a essas agências culturais para formalizar seus shows que efetivamente ocorreram.
E para entender melhor esse problema procurei alguns profissionais da área tributária e, entre outras coisas, pude concluir que não existe dados sobre o impacto da cultura brasileira no PIB nacional, ou seja, não existimos formalmente.
Entendi que nós, profissionais autônomos, pagamos sobre o valor do serviço prestado 11% de INSS, 5% de ISS e ainda Imposto de Renda, de acordo com tabela. Além disso, todas as essoas jurídicas que nos contratarem deverão recolher mais 20% sobre o total do cachê para o INSS, independentemente do valor do serviço, e ainda correr o risco de haver caracterização de vínculo empregatício.
Entretanto, não é vantagem para nenhum trabalhador permanecer no mercado informal, não há auxílio doença, aposentadoria, e nem são garantidos os benefícios dos contratados com carteira: férias, gratificação de um terço do salário nas férias, descanso remunerado, décimo terceiro, pagamento de hora extra, FGTS, etc.
Na verdade, um trabalhador informal acaba ficando à margem das estatísticas e da realidade da classe trabalhadora brasileira, lembrando que a categoria de trabalhadores de "carteira assinada" sempre se destacou como minoria. No caso de profissionais ligados à cultura, essa situação ainda piora quando observamos que, além do indiscutível excesso de tributos, possuímos algumas características que, de acordo com as regras do jogo, contribuem ainda mais para elevar o custo de uma possível contratação, como, por exemplo, o fato de que a maioria desenvolve suas atividades em horário noturno e aos finais de semana. Diante dessa realidade, podemos afirmar que, do ponto de vista financeiro, é praticamente impossível contratar um profissional da área cultural através de registro em carteira.
Outra característica é que as funções exercidas pelos profissionais ocorrem em períodos determinados e dificilmente são de ação continuada, inviabilizando sua contratação nesse formato.
Toda essa instabilidade obviamente intimida a abertura de empresas próprias, principalmente se pensarmos nas dificuldades para se abrir uma empresa e mantêla em funcionamento neste país. E olha que nem estou falando dos artistas iniciantes, que em geral trabalham para divulgar, não por cachê, mas que estão submetidos às mesmas regras, incluindo pagamentos de músicos e todos os encargos inerentes à atividade.
Mas é bom deixar claro que as coisas ditas por mim não são motivos para burlar a legalidade; pelo contrário, ela precisa ser a nossa meta, sempre. Tenho nítido que, como cidadão, espero sempre que o dinheiro público seja bem aplicado, mas não podemos esconder que quem trabalha no meio artístico acaba meio órfão, sem ter uma regulamentação própria para seguir, tendo que se adaptar a uma realidade que não é sua. Portanto, convido todos os que pensam cultura neste país, em especial os parceiros das secretarias e do Ministério da Cultura, para juntos levarmos essa discussão adiante, sem eleger um bode expiatório, mas sim construir uma nova lógica para a cultura brasileira.
De certa maneira, agradeço o mal que tentaram fazer comigo, pois a conclusão a que chego é que, ao mesmo tempo em que fiquei indignado por meu nome ter surgido num rolo que não me diz respeito, sinto muito orgulho por ser um artista/militante discriminado por sua origem social, mas que está tendo mais uma vez a coragem e a responsabilidade de botar o dedo na verdadeira ferida da cultura brasileira.

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MV Bill é cantor de rap, escritor e um dos fundadores da Central Única de Favelas (Cufa)
Fonte: Jornal O Globo de 02 de agosto de 2009

>> Liberdade...

Com Licença, sim?

A disputa entre aqueles que defendem o uso dos softwares livres e dos que utilizam o softwares proprietários não envolve apenas questões tecnológicas. A escolha do usuário tem efeitos na política, na economia e no desenvolvimento sustentável de um país como o Brasil

por Cíntia Guedes, Matheus Araújo, Em 20/05/2009. Fonte: Le Monde Diplomatique Brasil
Navegar é preciso, pagar não é preciso

É quase sempre proibido copiar, distribuir, reproduzir ou modificar a maioria dos produtos que tem como matéria-prima a informação, a tecnologia ou o conhecimento. Acostumamos com o tal dos ‘direitos reservados’, e é assim com a imensa maioria dos livros, CDs, softwares etc. Até pouco tempo, só com muito dinheiro era possível acompanhar o ritmo das inovações. Agora, proliferam-se no mundo inteiro movimentos que defendem a bandeira do sistema colaborativo de produção de conhecimento criando soluções palpáveis, inteligentes e rentáveis de produção, entre outras coisas, de Softwares Livres. Alternativas, aparentemente, mais acessíveis e bem mais justas [1].
A principal característica de um software livre é a abertura do código fonte. O usuário pode estudar como o software funciona e adaptá-lo às suas necessidades, alterando-o num sistema de soma e não de sobreposição, uma vez que um problema é solucionado ou uma nova adaptação é feita ela é divulgada e pode ser usada por todos, sem pagar nada. O software proprietário trabalha de maneira oposta: não permite que o usuário tenha acesso ao código fonte e cobra preços de softwares novos por pequenas inovações. Ou seja, enquanto o Software Proprietário é padronizado, o Software Livre permite adequações aos mais diferentes usos.
O exemplo maior desta disputa parece ser entre o Software Proprietário Windows e o Software Livre Linux, ambos, sistemas operacionais para computadores. Há diferenças bem marcadas entre os dois. A atualização do Linux é muito mais rápida, uma vez que não há necessidade de uma nova versão: os erros podem ser corrigidos por usuários em qualquer lugar do mundo. Já o Windows demora mais tempo para ser atualizado, pois o acesso às novas versões depende da Microsoft e do lançamento do produto no mercado. O Vista, a mais recente atualização do Windows, foi lançado em 2007, cinco anos depois de seu antecessor, a versão XP. Isso acontece porque o Windows utiliza a licença de reserva de direitos autorais enquanto o Linux utiliza outra licença - a GPL (General Public License ou Licença Pública Geral). [2].
Ao navegar pelo Software Proprietário que conferiu a Bill Gates o status de homem mais rico do mundo durante anos, encontramos uma interface altamente amigável, com ferramentas simples e práticas.- Além disso, o uso massivo do Windows faz com que ele seja, na maioria das vezes, muito mais familiar. Já o Linux, à primeira vista, parece coisa de outro planeta. O usuário comum, acostumado com a interface do Windows e sem conhecimentos aprofundados de informática, demora a habituar-se ao Linux. Segundo o estudante de jornalismo Breno Fernandes, que usa tanto o Windows quato o Linux, a maior dificuldade para um iniciante em Software Livre é dar-se conta de que não entende tanto de computadores como pensava. O exemplo é bastante ilustrativo: “imaginemos que a pessoa só usou o Internet Explorer toda a vida; e aí quando chega no Linux vai logo buscar o ezinho azul e o nome internet. Nesse momento, falta, ou tarda a vir, a informação de que Internet Explorer não é a Internet, mas um browser ou navegador, uma ferramenta, um software que te permite acessar a internet. ”. Ainda a superação do estranhamento inicial depende, em parte, da predisposição do usuário em conhecer um novo sistema.
Pensando justamente nesse tipo de consumidor, foi desenvolvido o Ubuntu - Linux for human beings (Linux para seres humanos) http://www.ubuntu-br.org/, um sistema operacional baseado no Linux e que promete ser muito mais fácil de usar.
O que chama atenção nesta disputa é que ela abrange não somente questões tecnológicas; toca também a política, a economia e a esfera do desenvolvimento social. “Construir e utilizar o software livre é uma maneira de trabalhar com a perspectiva de que o processo educacional tem que formar um cidadão para que ele seja autor, produtor de conhecimento e de culturas e não só um consumidor de informações”, afirma Nelson Pretto, professor da Faculdade de Educação da UFBA, fundador do Projeto Software Livre Bahia (PLS-Ba) e do projeto Tabuleiro Digital, que disponibiliza para a comunidade, na Faculdade de Educação, computadores em tabuleiros que se assemelham aos das baianas de acarajé. Os tabuleiros funcionam para navegação na internet por um curto intervalo de tempo – tempo de comer um acarajé – e todas as máquinas utilizam softwares livres.
Liberdade em verde e amarelo
"O software livre tem um significado fundamental para um país como o Brasil, porque tem como princípio a ideia de autonomia", afirma Pretto. Ao que parece, os empresários brasileiros já se deram conta dessa vantagem: segundo pesquisa publicada no blog Cultura Digital (http://www.cultura.gov.br/blogs/cultura_digital), do Ministério da Cultura, já em 2007, 53% das empresas no país utilizam Softwares Livres e esse número sobe para 73% quando contadas apenas as empresas de grande porte (aquelas com mais de mil funcionários).
O discurso governamental veiculado tanto em jornais de grande circulação no país quanto nos aparatos de comunicação do Estado (blogs do governo, por exemplo ) afirma que o Brasil tem ferramentas para despontar no desenvolvimento de SL, principalmente para o mercado de exportação. Nesse setor, a região nordeste tem chances de abocanhar grande fatia da produção, uma vez que no eixo sul-sudeste existem indústrias para exportação de software proprietário que absorvem muito mais mão de obra e, possivelmente, deixam o mercado menos suscetível às investidas do SL.
Atualmente Pernambuco desponta na produção de SL; Salvador, embora ainda não possua filiais de grandes empresas de produção de SL, é referência no desenvolvimento. Foi em terras soteropolitanas que surgiu, por exemplo, o primeiro Twiki do Brasil. SL que permite a interação de grupos usando um mesmo navegador, um Twiki é uma plataforma de criação colaborativa de conteúdo, a exemplo da Wikipédia. E o que tornou Salvador pioneira foi a criação do Twiki do Instituto de Matemática da UFBA, que permite uma melhor comunicação entre alunos e professores, pois todos são cadastrados e podem consultar informações sobre as disciplinas do curso, ler e baixar arquivos.
Parecendo andar na contramão, o governador da Bahia, Jacques Wagner, assinou no primeiro semestre de 2008 um protocolo de intenções com a Microsoft, em que acertavam a parceria do governo do estado com a empresa para o desenvolvimento de ações de inclusão digital. Entre as ações, está prevista a doação de computadores para escolas públicas, obviamente com o Windows já instalado.
A bandeira do SL foi levantada pelo Governo Lula desde a campanha presidencial de 1998, e quem não se lembra do ex- ministro Gilberto Gil, logo depois de assumir o Ministério da Cultura em 2003, usando um pingüim na lapela? Era o Tux, um pingüim farto após ter comido vários peixes, mascote escolhido por Linus Torvalds pra representar o Linux. O uso do SL nas instituições federais foi incentivado principalmente pelo MinC e pelo Ministério da Educação, contudo, a decisão da adoção do SL fica a cargo do gestor de cada instituição. Ainda não há nenhuma lei que regulamente a questão.
Bahia.br
"E o Linux começa a incomodar", é o que pontua Daniel Cason, estudante do curso de Ciências da Computação da UFBA e membro do Graco (Gestores da Rede Acadêmica de Computação) que gerencia parte da rede de computadores da sua faculdade desde 2005. O grupo de gestores funciona como uma oficina de redes prática, ou seja, o aluno trabalha efetivamente com o desenvolvimento e a manutenção de uma rede - o que para Cason deveria ser uma disciplina da grade curricular de qualquer curso de computação.
De acordo com Cason, a opção do Graco pelo uso de soluções livres é fundamental não só para o seu aprendizado acadêmico ou pelo fato de não serem cobradas licenças pelos softwares, mas também para uma eficiente manutenção da rede. A cada nova necessidade ou ideia que é apresentada e a cada falha encontrada os alunos têm a possibilidade de intervir nos softwares e de adequá-los às suas intenções. Afinal, eles próprios, através de um processo de criação conjunta, podem solucionar os problemas que encontram.
Vale ressaltar que o uso de um software livre não significa um uso necessariamente não comercial. No mercado de Salvador algumas empresas já apostam no uso do SL, seja buscando benefícios financeiros ou por ideologia, elas podem encontrar suporte em cooperativas que trabalham exclusivamente com tecnologias livres, e que oferecem desde serviços relacionados ao desenvolvimento de softwares até a migração de Software Proprietário para Software Livre. Este é o caso da Colivre www.colivre.coop.br , cooperativa soteropolitana, que oferece seus serviços desde a pessoas físicas, políticos, órgãos governamentais, ONG’s até mesmo a empresas privadas.
A cooperante Joselice de Abreu chama a atenção para a relação entre SL e Economia Solidária: "a gente desenvolve o software aqui e, se a população consome o nosso software, isso vai desenvolver a economia local". Para ela, a questão é simples. Trata-se do consumo consciente, já que o capital que é investido localmente, num bairro, cidade ou estado tem um retorno muito mais rápido. “Quando usamos o suporte de uma empresa a qual podemos contatar por telefone ou ‘bater na porta’ é diferente de usar os serviços de uma multinacional, cujo suporte está em outro país”, exemplifica Abreu .
O caso parece simples: as tecnologias desenvolvidas próximas à comunidade possibilitam o retorno mais rápido do capital investido para a própria comunidade. Em Salvador, o movimento Software Livre cresce quase que escondido, em meio ao frenesi pelos pseudo-super-novos Softwares Proprietários que economizam seu tempo, ou seja, pela sempre nova (e cara!) solução dos seus problemas. A grande sacada é sempre a da multinacional, que pensa de maneira organizada e inteligente na inserção dos seus produtos no mercado. Ainda assim, mesmo para aqueles não muito dispostos com a causa do Software Livre, ele pode ser uma opção econômica e tanto ou mais eficiente do que o Software Proprietário. Mas quem sabe valha a pena inverter a lógica e refletir sobre o caso, ou como disse o professor Nelson Pretto: "Farinha pouca, um pouquinho de farinha pra todo mundo".

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[1] Esta reportagem foi publicada originalmente na revista Fraude: ano p5 - n.06 - Salvador/Bahia. Essa publicação é realizada pelos bolsistas do Programa Educação Tutorial da Faculdade de Comunicação da UFBA
[
2] Em termos gerais, a GLP se baseia em quatro liberdades: Liberdade n.o 0: A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito;Liberdade n.o 1: A liberdade de estudar como o programa funciona e adaptá-lo para as suas necessidades. O acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade;Liberdade n.o 2: A liberdade de resdistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo;Liberdade n.o 3: A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie deles. O acesso ao código-fonte também é um pré-requisito para esta liberdade. Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Estamos lá!!!

Etapas divulga lista dos coletivos apoiados pelo Fundo de Apoio às Organizações Juvenis




Dezessete projetos contarão com verba do Fundo de Apoio às Organizações Juvenis. A lista dos coletivos que serão apoiados foi divulgada na manhã desta sexta-feira (29) pela Etapas. (Confira logo abaixo)

No total, a Etapas recebeu 66 projetos de diferentes municípios da Região Metropolitana do Recife.O recebimento dos projetos foi finalizado no dia 20 de maio. A partir dessa data, o Comitê Gestor procedeu com as avaliações das propostas apresentadas."Foi um trabalho árduo definir, entre tantas iniciativas interessantes e criativas, das mais diversas áreas de atuação, quais serão apoiadas", disse a educadora da Etapas, Auta Azevedo.

Segundo a educadora, a Etapas vai entrar em contato com todos os coletivos inscritos no Fundo de Apoio para divulgar o resultado, além de conversar sobre outras possibilidades de atuação coletiva e de outras iniciativas da Etapas nas quais esses poderão se envolver.

Serão executados projetos de junho a novembro de 2009. Todos os meses haverá encontros de socialização da experiência. O objetivo do fundo é de contribuir para o fortalecimento da organização juvenil, apoiar o desenvolvimento de ações coletivas planejadas, organizadas e executadas por jovens e colaborar com iniciativas juvenis ou para jovens desenvolvidas em comunidade do Recife e Região Metropolitana. O fundo tem apoio de Fratelli dell´uomo.

Confira a lista com os nomes dos coletivos juvenis que serão apoiados pelo Fundo de Apoio às Organizações Juvenis a partir de junho de 2009:

Aqua Trupe
Arte Imagem
Coletivo Cultura da Cidadania
Coletivo Nova Geração
Companhia de Teatro Zé do Pinho
Êxito D'Rua
Fokashim
Gaymado
Grupo Arte Jovem em Ação - GAJA
Grupo de incentivo e resgate a Cultura Hip Hop - Reciferia
Grupo de trabalho em meio ambiente - GTRAMA
Grupo Luas
Mabi - Movimento Arrebentando Barreiras Invivsíveis
Militância Juvenil MNMMR-PE
Rádio Comunitária do Pilar
Realidade de Rua
Trupe Circus

sábado, 25 de abril de 2009

Inter-AGINDO

I Encontro Anti-utilitarista de Recife: É possível uma outra forma de viver que seja mais solidária?




Objetivo do encontro: A crise mundial coloca com muita pertinência a importância de se aprofundar a crítica teórica de temas como modernização, inovação tecnológica, políticas públicas, participação democrática, movimentos sociais e formação de esferas públicas locais. A realização de um balanço provisório das teses, dissertações, pesquisas e outros trabalhos produzidos desde uma perspectiva antiutilitarista, no atual momento, no mundo iberolatinoamericano, constitui uma iniciativa importante para se avaliar as forças, as perspectivas e os conhecimentos disponíveis para se avançar nesta crítica teórica. A realização deste primeiro encontro na cidade do Recife se justifica pelo fato desta cidade constituir, neste momento, um centro de produção relevante de teses antiutilitaristas com um público ativo interessado no debate tanto na academia como no interior da sociedade civil. O objetivo desta iniciativa é de estimular novas reuniões, voltadas para divulgar as teses e experiências antiutilitaristas em diversos domínios do conhecimento, junto a públicos presencias e virtuais de outros centros nos quais vem ocorrendo igualmente o surgimento de redes.

Eixos Temáticos da Roda de Diálogos:

Data: 07/05 – Turno: Tarde - Horário: 14h às 16h30

Data: 08/05 – Turno: Manhã - Horário: 8h30 às 12h

Eixo 1 Educação e Mudança Social (Coordenador: Prof. Alexandre Simão de Freitas)

Eixo 2 Humanização da Saúde (Coordenadoras: Profª. Rosinha Barbosa/ Roseni Pinheiro)

Eixo 3 Religião e Comunidade (Coordenador: Prof. Drance Elias)

Eixo 4 Economia Solidária (Coordenador: Prof. Genauto França Filho / Éder Leão)

Eixo 5 Democracia e Participação (Coordenador: Prof. Paulo Henrique Martins)

Eixo 6 Mudanças Ambientais e Sustentabilidade (Coordenador: Prof. Marcos Lima / Renata Holanda)

Eixo 7 Segurança Violência, e Ação Pública (Coordenador: Prof. José Luiz Ratton)


Informações completas sobre o I Encontro Anti-utilitarista de Recife estão disponíveis no sítio do Jornal do MAUSS IberoLatinoAmericano - www.jornaldomauss.org ou www.periodicodelmauss.org.

Outras Informações: redacao@jornaldomauss.org›

Local, data e hora


Centro de Ciências Sociais Aplicadas / Universidade Federal de Pernambuco07 e 08 de Maio de 2009 - Horário: 8h30 às 17h›

Inscrições não serão pagas, mas serão bem-vindas doações em alimentos não-perecíveis ou em valor simbólico para orfanatos e casas de repouso do bairro da Várzea. As doações poderão ser entregues no dia do evento.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Participação


O que queríamos dizer...


Preto no branco: papéis assinados. Compromissos firmados. Estávamos lá, eu e você. Estavam lá os jornais e as autoridades. Um momento histórico. Uma conquista histórica. Depois de décadas de luta, de resistência e teimosia, a Comunidade do Pilar conquista com dignidade o direito de permanecer em seu chão – porque este chão onde começou a História do Recife é também o chão onde nossos avós e pais construíram suas histórias, onde nós construímos nossas histórias, onde começam e começarão as histórias das vidas de nossos filhos.

Estamos felizes, sim. Estamos ansiosos também. Mas, acima de tudo, estamos convenciodos de que estas conquistas só serão marcas de uma História Nova com diálogo e participação. E diálogo é a possibilidade de ouvir o diferente. Dialogar é estar aberto a ouvir e argumentar com quem pensa diferente de nós, com quem tem dúvidas, com quem tem idéias e quer trocá-las, com quem tem (e terá sempre!) direito de falar. Falar pra garantir que nossa História seja uma História de Liberdade e Democracia.

No último sábado, dia 18 de Abril, estávamos lá: no pátio da Igreja, no meio do povo da comunidade, das autoridades, dos curiosos e da Imprensa. Estávamos lá, mas não pudemos dizer a todos e todas o que pensamos do projeto de revitalização e do processo de renovação que, agora, se inicia.

E o que pensamos é que o nosso país tem muitas contradições. Nosso Brasil é um país rico, mas com um povo pobre. O que pensamos é que existem outros problemas além da precariedade de nossos barracos e da lama em nossas ruas. Queremos que, de casa nova, cada um de nós possa ter também uma vida nova: com trabalho, escola, saúde, cultura, participação e esperança. Já dissemos uma vez, mas vale repetir...

Não queremos ser lembrados por ter a terceira maior taxa de analfabetismo da capital! Não queremos ser lembrados como uma comunidade onde os chefes de família têm menos que 4 anos de estudo (o que é também a terceira pior marca da cidade)! Não queremos continuar com boa parte da nossa população sem rendimento nenhum e com quase a metade ganhando no máximo 1 (um) salário mínimo por mês! Não nos sentimos representados por aquilo que não temos...

Queríamos dizer que a Comunidade do Pilar recebe a oficialização da revitalização com festa e luta. Queríamos dizer que nossa gratidão primeira e nossa gratidão mais forte é aos primeiros lutadores e lutadoras que ocuparam estas terras há décadas atrás. Eles e elas, teimando em ficar neste chão, começaram uma história de resistência pelo nosso direito à moradia. Estamos felizes por ver a disposição do governo municipal em atender ao nosso direito (e Direito de Todos!) de moradia. Mas isto, não basta. Queremos participar. Temos vontade, disposição e idéias. Queremos construir juntos um projeto solidário e sustentável de desenvolvimento econômico para nossa Comunidade. Queremos construir juntos um projeto educacional que nos dê impulso para mudar a nossa história e de nossa cidade. E sabemos que estes projetos são tão importantes quanto o projeto do conjunto habitacional.

O que queríamos dizer é que estamos prontos a continuar fazendo com as nossas mãos as nossas histórias. Estas mãos que ergueram barracos são mãos de lutadores/as, são mãos de vencedores/as. E queremos tomar, nestas mãos, o futuro de nossa Comunidade, que é o nosso futuro e o futuro de nossos filhos. Por isso, queremos participar. Queremos viver o processo de revitalização. Sabemos que toda conquista de Direitos é conquista do povo. Estamos aí!


ParticiPilar - Rádio Comunitária do Pilar
Recife, Comunidade do Pilar, em 20 de Abril de 2009.