Do Site Cidade Escola Aprendiz. Publicado em 22/09/2010
O Recife (PE) pretende implantar projetos de educação integral como uma política pública do município. Até 2012, as 300 escolas da capital pernambucana deverão contar com programas para estimular ações que integrem a comunidade e instituições de ensino, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação de Recife.
Para isso, o órgão do governo desenvolve — em parceria com a Associação Cidade Escola Aprendiz — um projeto piloto em duas escolas dos bairros Coque e Pilar, ambas na região central do município. Desde abril, o chamado Programa Bairro-Escola Recife acontece na Escola Municipal José da Costa Porto e na Escola Municipal Nossa Senhora do Pilar. A ideia é transformar a comunidade em um ambiente de aprendizagem, ampliando os limites das salas de aula e fazendo da educação pública uma responsabilidade coletiva.
O projeto está em fase de mobilização e articulação local. Segundo o secretário Municipal de Educação, Cláudio Duarte, o primeiro passo é aumentar a colaboração entre dirigentes, professores, pais e alunos das escolas, além de estimular a interação entre os colégios e a comunidade.
“Já percebemos maior integração desde o início do projeto. Geralmente, a visão que cada um deve apenas cuidar do que lhe diz respeito é forte, mas as escolas estão se abrindo mais às manifestações da própria comunidade”, avalia Duarte. “É fundamental mobilizar e identificar valores sociais, culturais e os potenciais do entorno. Quando a comunidade é ativa, a escola funciona melhor, o professor falta menos e a gestão é mais presente”, completa.
O gestor local do Bairro-Escola Recife, Gerson Flávio, observa que o diálogo é mais fácil em comunidades que já estão mobilizadas. “Sentimos mais facilidade no Coque, por exemplo, porque já existe um histórico da comunidade com organizações que atuam no bairro. São 12 ONGs presentes há anos”.
Quinzenalmente, acontecem as oficinas do grupo articulador local. Os encontros reúnem diversos segmentos da comunidade nas duas escolas: gestores, animadores culturais, professores, pais, alguns alunos e líderes comunitários.
Além disso, em parceria com a ONG Auçuba Comunicação e Educação, são realizadas oficinas semanais de comunicação comunitária. Podem participar estudantes das escolas e adolescentes da comunidade interessados.
Para o final de novembro, os articuladores locais estão preparando uma mostra cultural. O evento vai durar uma semana e ocorrerá tanto no Coque quanto no Pilar. O projeto também prevê a criação de agências de notícias comunitárias na Internet, para divulgar informações sobre os moradores e acontecimentos nos bairros.
“Experiências de educação integral ainda são pontuais. Queremos disseminar a prática do bairro-escola. Uma dificuldade é a orientação política de cada gestão municipal. O processo político é complexo”, revela o secretário. Para ele, é fundamental produzir avaliações estruturadas dos projetos que demonstrem resultados. Assim, ele avalia que outros governantes poderão perceber a eficácia de iniciativas relacionadas à educação integral no país.
No próximo ano, a meta da secretaria é implantar o Programa Bairro-Escola em no mínimo quatro micro regiões do Recife – cada micro região é composta por cerca de quatro bairros.
Bairro do Pilar
O Coque e o Pilar são áreas pobres da capital pernambucana. Na segunda, a Prefeitura do Recife está construindo conjuntos habitacionais. Com o Programa de Requalificação Urbanística de Inclusão Social da Comunidade do Pilar, cerca de cem famílias foram desalojadas.
“Mexe com a vida da comunidade. Ocorre evasão escolar, pois o aluno tem que sair da região para morar mais longe”, afirma Gerson. “Estamos atuando também neste contexto, pois o processo de negociação é denso”.
Às quintas-feiras, o governo municipal e os integrantes do Bairro-Escola Recife tem feito reuniões nas obras do conjunto habitacional. O objetivo é trabalhar na tentativa de promover um diálogo entre o grupo governamental e a comunidade.
Secretaria do Cap – Srta. Cristiane Marins do Nascimento: A Secretária informou aos
Conselheiros o recebimento da correspondência CE – DIRPRE – N° 617/07, de 12 de
dezembro de 2007, da Autoridade Portuária, referente aos procedimentos para a “Disponibilização de áreas que integram a Comunidade do Pilar”, pelo Porto do Recife à Prefeitura Municipal, tendo em vista o Projeto de Revitalização daquela comunidade. A secretária leu o conteúdo da carta e, após, desejou boas festas e votos de um feliz ano novo ao Colegiado. ITEM 4 – Informações gerenciais da Administração do Porto: As informações foram baseadas no fornecimento de dados para a discussão do Item 5. SEGUNDA PARTE – ORDEM DO DIA: ITEM 5 – Apresentação de desmembramento de quadras na área da Comunidade do Pilar - Administração do Porto: O Conselheiro JOSÉ ANTÔNIO FALCÃO DA ROCHA pronunciou-se a respeito da competência do Cap em falar da área do Porto Organizado ao tempo em que informou os motivos para a Administração do Porto deliberar sobre o assunto. Justificou que a área jamais foi operacional, sendo ocupada irregularmente. Esclareceu, também, que apenas o poder municipal pode se envolver na questão da reurbanização do local, interesse do porto para viabilizar um regular funcionamento da futura estação de passageiros nas proximidades. Destacou, ainda, a importância da manifestação do Conselho, a fim de legitimar a decisão da Autoridade Portuária, também como precaução na questão da cessão de áreas da União para atender interesses públicos, como o Projeto de Inclusão social naquela área. O presidente do CAP – RICARDO NELSON RIBEIRO FREIRE, falou da importância do pronunciamento do CAP/Recife na discussão, lembrando que a poligonal que delimita a área do Porto Organizado deverá ser modificada a partir da cessão das quadras para o uso pelo Município do Recife. O Conselheiro FERNANDO MARCELO CAVALCANTI DA SILVA solicitou a apresentação do Projeto pela Prefeitura para subsidiar a homologação do CAP sobre a disponibilidade das referidas áreas. O Colegiado decidiu, então, fazer uma pequena votação para definir quando será feita a apresentação e a posterior homologação da decisão da Diretoria da Porto do Recife S.A. Restou decidido que na próxima reunião será feita uma apresentação do projeto de urbanização por técnicos da Prefeitura do Recife. O Conselheiro HERCÍLIO QUEIROGA MACIEL explicou que a urbanização do Pilar, proporcionará a incorporação das famílias que estão no prédio da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB, próximo aos Armazéns 16 e 17, facilitando o Projeto de Revitalização do Porto do Recife e esclareceu que o Município necessita da titularidade das áreas para dar início ao Projeto de Inclusão Social. Em continuidade ao debate, houve a exposição da Chefe da UARRE, Sra. Gertrudes Coelho Nadler Lins que, enquanto Especialista em Regulação, que apresentou posicionamento em favor da preservação do segmento econômico-social representado pela atividade portuária. Afirmando, assim, a necessidade de preservar áreas não operacionais sem redução da área do Porto Organizado. Declarou, também, que a Lei n ° 8.630/1993, possibilita o uso não operacional de áreas para projetos de revitalização, como no caso da Comunidade do Pilar. Informou, ainda, que levará o assunto à Superintendência de Portos da ANTAQ para um definitivo posicionamento. O Conselheiro SEVERINO FRANCISCO DOS SANTOS FILHO levantou questionamento a respeito da transferência das famílias que atualmente ocupam a Comunidade do Pilar, em contraposição à reurbanização de toda a Comunidade. O Conselheiro HERCÍLIO QUEIROGA MACIEL esclareceu que, de acordo com o Estatuto da Cidade, o Poder municipal deve procurar alocar as famílias que estão em ocupações subnormais num raio de 500 à 1.000 metros do local onde se encontravam, pois aprenderam a encontrar estratégias de sobrevivência naquela área e, portanto, retirá-las do local significa subtrair essa capacidade de sobrevivência.
FONTE: ATA DA 160ª REUNIÃO ORDINÁRIA Praça Comunidade Luso Brasileira, 70 – Bairro do Recife – Recife - PE – 50030-280 Tel. (81) 3419-1905 - Fax (81) 3224-2848 e-mail: cap.recife@portodorecife.pe.gov.br Pág. 2/3 PA
Dia após dia, estamos abrindo as portas de nossas casas para os funcionários da Prefeitura da Cidade do Recife. São funcionários da URB, da Codecir... E o diálogo real com a PCR continua restrito aos momentos de festança e foguetório de quando o prefeito João da Costa pisa por lá - sempre estacionando o carro ao lado dos muros da fábrica de biscoitos e massas Pilar e chegando diretinho pra subir ao palanque. Nunca, nunquinha, o distinto senhor e prefeito fez, à exemplo do seu antecessor, João Paulo, um momento de escuta da Comunidade. É gente, a gente sabe que o projeto já foi mostrado e explicado pela prefeitura (na outra gestão), mas foi isto, só: mostrar e explicar. Não nos perguntaram se o projeto era satisfatório, não nos convidaram para participar de sua elaboração, não nos procuram para atualizar informações sobre o projeto... Desde quando o projeto foi re-anunciado o que mais acumulamos é dúvidas... Quem vai tirá-las? E, aliás, há gente incomodada com nossas dúvidas... Ter dúvidas é socialmente condenável? Um bom cidadão não deve ter dúvidas? E confiar cegamente em tudo o que lhe dizem? Participação Social é quando uma multidão se reune pra escutar e... só?!? Participação não é também "perguntar", "entender", "fazer junto"... Ou a participação que o governo está propondo é no "modo lagartixa"? O prefeito fala... e a gente balança a cabeça dizendo que "sim"... Não! Não... E não...! A gente tem dúvidas e quer tirá-las. A gente tem sonhos e quer buscá-los... A gente tem idéias e quer vê-las consideradas no projeto da "Nova Comunidade do Pilar"... Comunidade só pode existir com gente, atuante, e respeitada em seus direitos, inclusive, o direito de falar, de opinar... Senão o que a prefeitura estará fazendo é um monte de prédios que não vão chegar nunca a formar uma "comunidade".
MAS, AGORA, A PREFEITURA DIZ QUE VAI FAZER A "NOVA COMUNIDADE DO PILAR"...!
ENTÃO, CHAMA A GENTE!!!! A GENTE QUER FAZER PARTE DA VIDA DA CIDADE E CONTINUAR CONSTRUÍNDO A HISTÓRIA DA NOSSA COMUNIDADE... ESSA HISTÓRIA É NOSSA E NINGUÉM APAGA (NEM PAGA!).
POLÍTICA PÚBLICA PARTICIPATIVA COMEÇA PELO DIÁLOGO. A GENTE QUER DIALOGAR, PASSO A PASSO, NO PROCESSO DE REVITALIZAÇÃO...
Beeem... pra começo de conversa, quando esta obra aí, que estão propagandeando como "nova Comunidade do Pilar" estiver pronta, você, eu, nossas famílias e todas as outras famílias que formam a Comunidade do Pilar vamos viver em apartamentos de 28 metros quadrados... você sabe o que significa isto? Ou melhor, você tem idéia de que tamanho é um "apê" de 28 metros quadrados?
Como nossa vontade é explicar, esclarecer, pra que todo mundo na Comunidade saiba o que está acontecendo... É que a gente decidiu calcular ou demonstrar ou tentar entender, a área do apertamento onde nossas famílias vão morar...
No exemplo do retângulo (essa figura geométrica) que está aí em cima, temos: o retângulo dividido em quadradinhos iguais de 1cm cada lado; cada quadradinho tem de área (porque a área de um quadrado é a mutiplicação do tamanho do lado por 2...) 1cm quadrado; contando quantos quadrados existem na base e na altura (horizontal e verticalmente) a gente tem 5 e 3, multiplicando esses quadrados... 5x3=15, ou seja, teremos a área do retângulo, 15 centímetros quadrados. Isto é uma simplificação matemática que nos leva a perceber que a área de um quadrilátero (figura de 4 lados) é o produto da multiplicação da base pela altura, em matemática, B x H (base vezes altura)... Então! Seguindo a lógica de quadrados de 1cm quadrado e passando isso para quadrados de um metro quadrado cada, nossos "apês" teriam 7 e 4 quadrados... 7x4=28.
Mas, e aí? O que dá pra fazer em 28 metros quadrados?
Pra começar... seria bom calcular o tamanho de sua casa ou barraco e ver se o apartamento da "Nova Comunidade do Pilar" é maior ou menor que o espaço que você já ocupa com sua família e que, talvez, com bem menos dinheiro e uma boa reforma pudesse ficar no grau com tudo que temos direito: saneamento, instalação elétrica adequada, água encanada, boas paredes...
Será que seremos nós, os moradores e moradoras do Pilar, os maiores beneficiados com a construção desses prédios?
É praticamente do conhecimento de todos os profissionais desta Secretaria (e mesmo fora dela) que estamos passando por um momento delicado, de desorientação e incertezas que representa, na verdade, a passagem para um novo projeto, cuja natureza, objetivos e princípios eu, pessoalmente, não estou mais disposto a participar. É, assim, na declarada intenção de não desejar mais ver meu nome ligado a este projeto que apresentei meu pedido de exoneração da Assessoria Executiva da SEEL em caráter inegociável.
No entanto, penso que o momento exige algumas reflexões que não podem se resumir a acusações ou vitupérios sobre a personalidade do próprio Secretário: acusá-lo de imaturo, narcisista, inculto, autocrático ou truculento seria adentrar no domínio do “traço de personalidade” que é algo que deve ser resolvido em outra esfera -a psicanalítica, na qual não disponho de nenhuma competência. Interessa, aqui, saber a serviço de que “projeto” tais traços se revelam adequados e observar, afinal, se não há uma perfeita compatibilidade entre personalidade autoritária e projeto tecnocrático.
Sou consultor e assessor desta Secretaria desde os anos 80 e, bem ou mal, ajudei a pensar e implantar idéias pedagógicas que envolvem uma certa noção de participação democrática dos educadores, de qualidade social da educação, de republicanismo escolar..., certo de que é na esfera pública da palavra argumentada que a coisa pedagógica se decide. E foi, penso, apoiada nestas idéias que esta Secretaria sempre se pautou, evitando exatamente que as questões educativas fossem tratadas como um “problema de gestão”, ciente dos enormes riscos que corríamos –e que corre a própria idéia de democracia- quando o espaço da argumentação é substituído pelo da “competência técnica”, pelo “gerencialismo”, quando o arrazoado cede lugar à planilha Excel...
Um dos reflexos disto na educação apareceu, nos anos 70, aqui no Brasil, no chamado ‘tecnicismo pedagógico’: o planejamento, a planilha, a gestão, o monitoramento decididos “tecnicamente” pelos gestores substituindo as pessoas de carne e osso. O projeto voltou nos anos 80 com a onda avassaladora da “qualidade total em educação” e retorna agora em forma renovada, que tentarei esclarecer a seguir. Isto envolvia um forte conflito entre a noção de eficiência e produtividade dos serviços públicos e privados, com a difusão ao mesmo tempo falsa e massiva de que o setor privado seria mais eficiente do que o público, o que não se mostrou verdadeiro nem na pesquisa de alta tecnologia, nem no ensino superior e, para chegar mais perto, nem na qualidade da pesquisa e da formação na área educacional.
Aproveitando o espaço deixado por algumas instituições internacionais de financiamento e apoio técnico à educação (Banco Mundial, por exemplo) multiplicaram-se as empresas e organizações de assessoria e consultoria às secretarias de educação, muitas delas vendendo pacotes fechados, técnicas “exitosas” de correção disto e daquilo, fórmulas de sucesso de elevação de níveis de aprendizagem que passaram, claro, a disputar o dinheiro público através das secretarias municipais. Recife inclusive (!), que assinou recentemente convênios e acordos com fundações (Roberto Marinho, Airton Senna, Alfa e Beto!!!!) sem consulta do secretário a nenhuma das instâncias pedagógicas desta rede ( quando houve, a atitude foi de ignorar o parecer do consultado) e contrariando, inclusive, uma história e uma tradição pedagógica aqui existentes. Fica-nos a impressão de estarmos, aqui no município, num supermercado educacional onde se coloca no carrinho os produtos vistosos das prateleiras, sem nenhuma reflexão mais demorada. Não preciso dizer que a idéia, aparentemente muito cara ao nosso secretário, de “inovar” é típica de um certo frenesi gestionário que imagina sempre o “novo” como algo superior ao que existe e o arsenal tecnológico como recurso para diminuir a incompetência do fator humano, confundindo o novo –apanágio do impensado e do insólito- com a “novidade” característica da sedução consumista e da imaturidade do julgamento, todas acompanhadas de medidas, ‘lançamentos’ e ‘inaugurações’ superficiais e pouco articuladas com um projeto pedagógico mais profundo e estruturador. Qual o impacto da “escola do futuro” no conjunto de uma perspectiva pedagógica universalizante? Qual o sentido de se estabelecer, em detrimento e à revelia da DIRE, uma relação direta com os gestores sem aquela intermediação pedagógica necessária e qualificada? Qual o sentido do esvaziamento da GAC –e a intenção de integrá-la com o Escola Aberta- praticamente anulando as boas iniciativas que marcaram aquela gerência? Qual a razão do esvaziamento do tema do ano letivo (Recife, cidade educadora), de tanto interesse para uma perspectiva republicana de educação?
De meu lado, a tentativa de reestruturar a proposta pedagógica, a formação continuada e reorientá-la na direção do regime de Ciclos esbarrou no dilema entre “tempo político” (apresentação de “resultados” a qualquer custo e altamente midiatizados) e “tempo pedagógico”, com perda evidente para o segundo. Quanto à possibilidade de diálogo e assessoramento, junto ao secretário, desde o início ficara claro que teria imensas dificuldades de me fazer ouvir ou, ao menos, de ser consultado em decisões que reputo cruciais. Monólogo, histerismo, monocratrismo, desconfiança generalizada nas pessoas, desqualificação sistemática dos técnicos, decisões intuitivas e despreparadas, me mostraram que os tempos eram outros. E não acho que sejam “melhores”! E, pior, não me parecem honrar uma história recente desta rede, que tivera nomes como os de Edla Soares e Maria Luiza Aléssio.
Ninguém é contra uma gestão adequada de recursos e meios; claro que é necessário uma reestruturação administrativa importante nesta rede, voltada para o máximo de aproveitamento dos recursos públicos; é importante o estabelecimento de metas e o racionalização dos critérios. Mas não se pode confundir os meios com os fins e, sobretudo, não aceito a substituição de um pelo outro!
Sem dominar a linguagem da área, o debate educativo, a história da educação municipal; avesso a qualquer forma de discussão teórica; um profundo desconhecimento das questões pedagógicas propriamente ditas, nossa rede parece à mercê de uma orientação essencialmente administrativista, onde o próprio debate que procurei instaurar do CAP foi visto de forma desprezível ou, no mínimo, inócua pelo secretário. É surpreendente, pois, que, ali onde o debate pedagógico deveria conhecer um ritmo e uma freqüência institucional, isto tenha sido, até o insuportável, desencorajado e, sobretudo, sem jamais –digo bem, jamais! -contar com a presença do próprio secretário em tais discussões.
E é aqui em que a personalidade do agente se compatibiliza com a natureza do projeto: concordemos que não se convida um democrata convicto para participar de um governo autoritário! Instaurou-se, entre nós, uma política do medo que comunica “decisões de gestão”, da ameaça e do deboche, ratificando uma relação que, na prática, todos nós conhecemos bem: a relação entre mediocridade e arrogância, especialmente entre aqueles que ocupam postos de mando. Lembremos, de resto, que a tecnocracia é uma das formas “científicas” de eliminação do mundo público! O curioso é que isto se dá no interior de uma ordem formalmente democrática e, sobretudo, com o uso abusivo de seus jargões (pactuar, transparência, participação, etc), o que já em si, indica algo de muito grave...
Vendo meu espaço de atuação se reduzir, atuação inclusive contrariada pela natureza dos convênios firmados; vendo a sistemática atitude de desqualificação de nossos melhores quadros pedagógicos e, sobretudo, assistindo a uma crescente deterioração do ambiente de trabalho, decido deixar esta Secretaria esperando que não dure muito a passagem destes tempos de susto e desencanto, e que este momento de reflexão e crítica nos ajudem a recuperar e honrar uma história educacional de uma cidade que já ofereceu a este país nomes e idéias que não podem ser deixadas ao sabor do desvario tecnocrático.
PERNAMBUCO // VIOLÊNCIA PM promete punir policiais acusados de abuso no Pilar
Publicado em 20.08.2009, às 07h47Do Jornal do Commercio
Dois dias após as denúncias de truculência da Radiopatrulha na comunidade do Pilar, no Bairro do Recife, Centro, a Polícia Militar (PM) prometeu localizar os policiais acusados de abuso de autoridade na região. O tenente-coronel Paulo Cabral, comandante de Policiamento da Capital, garantiu que, se comprovada a acusação, os responsáveis serão punidos. “Vamos identificá-los e mudar esse quadro”, afirmou, depois de se reunir com moradores, representante da Secretaria de Educação da cidade e direção da Escola Municipal Nossa Senhora do Pilar, que vem sendo afetada pelo clima de violência.
De acordo com o oficial, não havia registro oficial de queixa contra os PMs até o Jornal do Commercio noticiar agressões aos moradores, na última segunda-feira. “Não tínhamos nada formalizado para abrir sindicância. Mas o comando da Radiopatrulha já está tentando identificar esses policiais”, disse Paulo Cabral. Durante a reunião, ele recebeu de moradores cápsulas de munição ponto 40, arma de uso exclusivo dos militares, que seria indício de tiroteios promovidos pelos policiais.
O secretário executivo de Educação do Recife, Flávio Brayner, assegurou que o município tomará medidas para manter a segurança dos alunos. Como forma de valorizar a área, a PM sugeriu que a prefeitura melhore a iluminação pública e a limpeza urbana.
Segundo parentes de alunos da Escola Nossa Senhora do Pilar, quatro homens da Radiopatrulha vêm espalhando terror na área há, pelo menos, nove meses. “Essa turma anda com um alicate enorme para arrombar casas. Invade e leva o que tiver de valor”, relata um estivador, tio de um estudante.
Dona de casa conta que assistiu à tortura de um jovem, preso acusado de tráfico. “Deram choque com fio elétrico, colocaram sacola na cabeça e tentaram enfiar cabo de vassoura. E disseram que atirariam se alguém reclamasse”, diz. Outra mãe de aluno crê que os policiais inverteram valores. “O trabalho deles é prender e levar para a delegacia. Devem respeitar o cidadão.” Com medo de represálias, ninguém quis se identificar.
Durante a reunião na escola, alguns moradores discutiram com policiais do lado de fora. Houve tumulto, mas ninguém se feriu. Enquanto os representantes da comunidade alegavam que membros da Patrulha Escolar os xingaram, os PMs se diziam desacatados.
Anteontem à tarde, crianças foram liberadas mais cedo da aula devido a ameaças dos acusados do abuso. Ontem, algumas se assustaram com a movimentação de policiais na reunião. Com a promessa de Paulo Cabral, a diretora da escola, Adineide Vitor Anjos, se sente aliviada. “Esperamos trazer a paz de volta para a escola e toda a comunidade do Pilar”, conclui.
Escola denuncia violência na comunidade do Pilar e Secretaria de Educação reprime direção
Em 19 de agosto de 2009
Depois de denunciar à imprensa episódios aterrorizantes de repressão da Polícia na comunidade, a Escola Municipal de Nossa Senhora do Pilar sofreu mais uma vez a repressão, sendo que foi a própria Secretaria de Educação do município do Recife que veio à reunião simplesmente para dizer, por meio do assessor executivo Flávio Brayner, que a prefeitura estava “constrangida de só saber do problema pelos veículos de comunicação”. Ele disse que a “diretora não devia atuar como líder comunitária do Pilar”. No Jornal do Commercio de hoje, 19.8, Cláudio Duarte disse em entrevista que não aceitou a opção da diretora Adineide dos Anjos que liberou os estudantes uma hora antes do previsto por conta do suposto “toque de recolher”, em retaliação da polícia por causa da denúncia na imprensa ontem. “Só quem pode autorizar que as aulas acabem mais cedo é o secretário. E eu não fiz isso”, disse ele desautorizando a diretora. Adineide justificou, durante a reunião, que tomou a medida porque “a situação ficou insustentável. Só quem sabe o que aconteceu aqui é quem está dentro da escola. As crianças viviam desenhando nas atividades escolares a agressão da polícia e já aconteceu de entrarem embaixo dos birôs, assim que havia barulho de sirene. A medida que tomei foi para prevenir o pior, pois a gente se sente na obrigação de ajudar a comunidade”, explicou ela, informando que a “escola é o único órgão público de acesso à comunidade do Pilar”. Para o deputado federal Paulo Rubem Santiago (PDT), a Escola tem autonomia para elaborar seu projeto pedagógico e conduzir suas práticas pedagógicas e deve fazê-lo, nos termos do artigo 12 , da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei Federal 9394 de 1996 “.Isso se estende à tomada de decisões que possam ocorrer em situações emergenciais, como a que aconteceu com a diretora encerrando as aulas antes do horário. Isso é normal”, justifica ele.PAPEL DO EDUCADOR – Uma professora que estava na reunião disse que vivia se perguntando qual o papel do educador nesse episódio. “Optamos por denunciar as agressões à comunidade”. Uma líder da comunidade, que teve seu filho espancado duramente pela polícia, na presença da família, disse que teme pela sua vida e família. No final da reunião, o coronel Cabral, da Secretaria de Desenvolvimento Social, disse que o objetivo de agora em diante é chegar num acordo com a comunidade. Ele disse que agora a polícia vai atuar como trabalhou na comunidade de Santo Amaro, onde há mais de 51 dias não há assassinatos. “Vamos trabalhar junta à comunidade, nos moldes da polícia amiga, de forma que as crianças e a comunidade passem a ver a polícia com outros olhos e não com o medo que estão tendo atualmente”. Ele disse que irá marcar outro dia para interagir com a comunidade.
REUNIÃO DISCUTE APROXIMAÇÃO DA POLÍCIA COM A COMUNIDADE DO PILAR
20:43 Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009
Inaldo Lins
A Prefeitura do Recife, por intermédio da Secretaria de Educação, Esporte e Lazer, se colocou à disposição do Governo do Estado, nas ações de melhoria do relacionamento da PM com os moradores da comunidade do Pilar, no Recife Antigo. As estratégias da Secretaria de Defesa Social foram apresentadas e discutidas com os moradores na tarde/noite desta quinta-feira (19), durante reunião na biblioteca da Escola Municipal Nossa Senhora do Pilar. O encontro contou com a participação do comandante de Policiamento da Capital, coronel PM Paulo Cabral, e o assessor executivo da Secretaria de Educação, Esporte e Lazer, Flávio Brayner, além de representantes do Conselho Tutelar, dirigentes da escola, entidades sociais e batalhão responsável pelo policiamento da área. O motivo da reunião foi a queixa da comunidade sobre as relações de conflito estabelecidas pelos policiais durante as investidas na localidade, o que estava gerando medo e insegurança, inclusive dentro da escola municipal.De acordo com Flávio Brayner, o resultado foi positivo. “Esse encontro serviu para que os moradores do bairro pudessem falar diretamente com o alto comando da PM sobre as falhas do policiamento na área, o que deve resultar num monitoramento mais constante e eficiente”, ressaltou, lembrando que as ações educativas prometidas pelo comandante contarão com apoio da PCR. “É importante deixar claro, entretanto, que a segurança pública fora do ambiente da escola é de responsabilidade da PM”, frisou. O assessor executivo explicou que o papel da PCR é zelar pelo bom funcionamento da unidade de ensino, o que incluiu a ronda escolar feita diariamente, pela manhã e à tarde, por uma equipe da Guarda Municipal. “Mas é muito importante que a PM tenha se comprometido em melhorar a atuação na comunidade, pois a escola não é impermeável, e o que acontece lá fora se reflete negativamente no ambiente escolar”, frisou.Flávio Brayner finalizou lembrando que as relações da Prefeitura com os moradores do bairro são muito boas. “Os resultados escolares comprovam isso. Mas não mediremos esforços no sentido de aperfeiçoar cada vez mais essa parceria”, argumentou. A próxima reunião, quando a PM se compromete em analisar os avanços e implementar novas ações educativas no bairro, ainda não está marcada.