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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Cidade Escola Aprendiz... a gente faz parte!!!


Por Desirèe Luíse

Do Site Cidade Escola Aprendiz. Publicado em 22/09/2010


O Recife (PE) pretende implantar projetos de educação integral como uma política pública do município. Até 2012, as 300 escolas da capital pernambucana deverão contar com programas para estimular ações que integrem a comunidade e instituições de ensino, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação de Recife.
Para isso, o órgão do governo desenvolve — em parceria com a Associação Cidade Escola Aprendiz — um projeto piloto em duas escolas dos bairros Coque e Pilar, ambas na região central do município. Desde abril, o chamado Programa Bairro-Escola Recife acontece na Escola Municipal José da Costa Porto e na Escola Municipal Nossa Senhora do Pilar. A ideia é transformar a comunidade em um ambiente de aprendizagem, ampliando os limites das salas de aula e fazendo da educação pública uma responsabilidade coletiva.
O projeto está em fase de mobilização e articulação local. Segundo o secretário Municipal de Educação, Cláudio Duarte, o primeiro passo é aumentar a colaboração entre dirigentes, professores, pais e alunos das escolas, além de estimular a interação entre os colégios e a comunidade.
“Já percebemos maior integração desde o início do projeto. Geralmente, a visão que cada um deve apenas cuidar do que lhe diz respeito é forte, mas as escolas estão se abrindo mais às manifestações da própria comunidade”, avalia Duarte. “É fundamental mobilizar e identificar valores sociais, culturais e os potenciais do entorno. Quando a comunidade é ativa, a escola funciona melhor, o professor falta menos e a gestão é mais presente”, completa.
O gestor local do Bairro-Escola Recife, Gerson Flávio, observa que o diálogo é mais fácil em comunidades que já estão mobilizadas. “Sentimos mais facilidade no Coque, por exemplo, porque já existe um histórico da comunidade com organizações que atuam no bairro. São 12 ONGs presentes há anos”.
Quinzenalmente, acontecem as oficinas do grupo articulador local. Os encontros reúnem diversos segmentos da comunidade nas duas escolas: gestores, animadores culturais, professores, pais, alguns alunos e líderes comunitários.
Além disso, em parceria com a ONG Auçuba Comunicação e Educação, são realizadas oficinas semanais de comunicação comunitária. Podem participar estudantes das escolas e adolescentes da comunidade interessados.
Para o final de novembro, os articuladores locais estão preparando uma mostra cultural. O evento vai durar uma semana e ocorrerá tanto no Coque quanto no Pilar. O projeto também prevê a criação de agências de notícias comunitárias na Internet, para divulgar informações sobre os moradores e acontecimentos nos bairros.
“Experiências de educação integral ainda são pontuais. Queremos disseminar a prática do bairro-escola. Uma dificuldade é a orientação política de cada gestão municipal. O processo político é complexo”, revela o secretário. Para ele, é fundamental produzir avaliações estruturadas dos projetos que demonstrem resultados. Assim, ele avalia que outros governantes poderão perceber a eficácia de iniciativas relacionadas à educação integral no país.
No próximo ano, a meta da secretaria é implantar o Programa Bairro-Escola em no mínimo quatro micro regiões do Recife – cada micro região é composta por cerca de quatro bairros.

Bairro do Pilar

O Coque e o Pilar são áreas pobres da capital pernambucana. Na segunda, a Prefeitura do Recife está construindo conjuntos habitacionais. Com o Programa de Requalificação Urbanística de Inclusão Social da Comunidade do Pilar, cerca de cem famílias foram desalojadas.
“Mexe com a vida da comunidade. Ocorre evasão escolar, pois o aluno tem que sair da região para morar mais longe”, afirma Gerson. “Estamos atuando também neste contexto, pois o processo de negociação é denso”.
Às quintas-feiras, o governo municipal e os integrantes do Bairro-Escola Recife tem feito reuniões nas obras do conjunto habitacional. O objetivo é trabalhar na tentativa de promover um diálogo entre o grupo governamental e a comunidade.

sábado, 20 de março de 2010

Quem somos nós? Como nos sentimos? O que queremos?

Quem somos nós?

- Somos moradores e moradoras da Comunidade do Pilar, este lugar que já foi chamado "favela do rato" ou "favela do Brum" e que fica bem pertinho de um pólo turítico e da prefeitura, mas ninguém ver... ou ninguém quer ver!
Somos também netos e filhos dos primeiros lutadores que ocuparam este espaço, resistiram e construíram as vidas de suas famílias aqui... construimos as vidas de nossas famílias aqui, na Comunidade do Pilar, apesar do saneamento básico precário ou nenhum, apesar do fornecimento irregular de água, apesar de a Celpe "fingir" não saber de nossos direitos e cobrar uma taxa altíssima pela energia elétrica, cortar o fornecimento e colocar muitos moradores no SPC, apesar de abusos cometidos por alguns criminosos de farda que deveriam protejer, mas amedrontam, apesar de os políticos só virem aqui em época de campanhas eleitorais e de fazerem promessas que aguardamos ver cumpridas há anos... apesar de o Porto não querer nossa presença, apesar de os governos ignorarem durante anos nossa existência... nós, moradores da Comunidade do Pilar, vivemos aqui há mais de três décadas e trabalhamos pelo crescimento da cidade, no comércio e no porto, garantindo o nosso sustento e de nossos filhos.


Como nos sentimos?

- E se nós perguntarmos a você como você se sentiria se fosse visto como perigoso, junto com sua família, por morar em um lugar pobre... e pobre porque esquecido ou abandonado pelas autoridades competentes (quanta competência em marginalizar e excluir!)? Como você se sentiria? E se o esgoto estourado ano após ano no portão de tua casa te lembrasse todo dia que "os poderosos não tão nem aí pra o jeito como você vive"? Mas eles querem seu voto...
Apesar disso, não nos sentimos humilhados! Somos os trabalhadores e as trabalhadoras que fazem a multidão de ambulantes no Centro do Recife, no Recife Antigo e até, ali, vendendo cachorro quente ou caldo-de-cana a quem vai resolver alguma bronca na prefeitura da cidade... Nós construímos junto com você esta cidade! E sabemos disto...


O que queremos?

- Respeito. Queremos respeito porque todas as relações entre pessoas humanas devem começar pelo respeito para que, no dia-a-dia, sejam relações de cooperação, solidariedade, entendimento e partilha... O respeito nos faz não ignorar a dignidade do outro, não desprezar sua história e não tratá-lo como quem pode (ou deve...) ser enganado, submetido, dominado, silenciado, afastado. Se existisse respeito, antes de pensar em "crime", quando se ouvisse falar em "favela", cada cidadão pensaria em outros cidadãos, em gente, vivendo suas vidas com grandes dificuldades e lutando para melhorar suas condições de vida e de sua comunidade... Aí, perguntamos: se minha comunidade melhora a sua também não vai melhorar?
Pois é... na melhoria de nossas vidas está a melhoria de muita coisa que faz a cidade melhor. E na consciência das pessoas de que se todos vivem melhor o Mundo se torna melhor está o começo do caminho (que a gente já faz ao caminhar!) de mais Justiça e da Paz.


E, então, como seguiremos?

- Alguém já disse que "o caminho se faz ao andar" e a gente acredita nisso! Mas tem que se saber por onde se anda, como se anda, para onde se anda e também têm horas que é pra gente não andar sozinho, andar junto... Esse andar junto é o andar da Comunidade. Ser Comunidade é isso: andar juntos para afirmar o que somos, partilhar o que sentimos, construir e conquistar o que queremos.
A Rede ParticiPilar quer ser isto: uma escola de Vida onde a gente aprende juntos a ser Comunidade. Vamos nessa?!?