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quinta-feira, 25 de março de 2010

Vocês que nos visitam... querem conversar?


Dia após dia, estamos abrindo as portas de nossas casas para os funcionários da Prefeitura da Cidade do Recife. São funcionários da URB, da Codecir... E o diálogo real com a PCR continua restrito aos momentos de festança e foguetório de quando o prefeito João da Costa pisa por lá - sempre estacionando o carro ao lado dos muros da fábrica de biscoitos e massas Pilar e chegando diretinho pra subir ao palanque.
Nunca, nunquinha, o distinto senhor e prefeito fez, à exemplo do seu antecessor, João Paulo, um momento de escuta da Comunidade.
É gente, a gente sabe que o projeto já foi mostrado e explicado pela prefeitura (na outra gestão), mas foi isto, só: mostrar e explicar. Não nos perguntaram se o projeto era satisfatório, não nos convidaram para participar de sua elaboração, não nos procuram para atualizar informações sobre o projeto...
Desde quando o projeto foi re-anunciado o que mais acumulamos é dúvidas...
Quem vai tirá-las?
E, aliás, há gente incomodada com nossas dúvidas...
Ter dúvidas é socialmente condenável? Um bom cidadão não deve ter dúvidas? E confiar cegamente em tudo o que lhe dizem?
Participação Social é quando uma multidão se reune pra escutar e... só?!?
Participação não é também "perguntar", "entender", "fazer junto"... Ou a participação que o governo está propondo é no "modo lagartixa"? O prefeito fala... e a gente balança a cabeça dizendo que "sim"...
Não!
Não... E não...!
A gente tem dúvidas e quer tirá-las.
A gente tem sonhos e quer buscá-los...
A gente tem idéias e quer vê-las consideradas no projeto da "Nova Comunidade do Pilar"...
Comunidade só pode existir com gente, atuante, e respeitada em seus direitos, inclusive, o direito de falar, de opinar... Senão o que a prefeitura estará fazendo é um monte de prédios que não vão chegar nunca a formar uma "comunidade".

sábado, 20 de março de 2010

Quem somos nós? Como nos sentimos? O que queremos?

Quem somos nós?

- Somos moradores e moradoras da Comunidade do Pilar, este lugar que já foi chamado "favela do rato" ou "favela do Brum" e que fica bem pertinho de um pólo turítico e da prefeitura, mas ninguém ver... ou ninguém quer ver!
Somos também netos e filhos dos primeiros lutadores que ocuparam este espaço, resistiram e construíram as vidas de suas famílias aqui... construimos as vidas de nossas famílias aqui, na Comunidade do Pilar, apesar do saneamento básico precário ou nenhum, apesar do fornecimento irregular de água, apesar de a Celpe "fingir" não saber de nossos direitos e cobrar uma taxa altíssima pela energia elétrica, cortar o fornecimento e colocar muitos moradores no SPC, apesar de abusos cometidos por alguns criminosos de farda que deveriam protejer, mas amedrontam, apesar de os políticos só virem aqui em época de campanhas eleitorais e de fazerem promessas que aguardamos ver cumpridas há anos... apesar de o Porto não querer nossa presença, apesar de os governos ignorarem durante anos nossa existência... nós, moradores da Comunidade do Pilar, vivemos aqui há mais de três décadas e trabalhamos pelo crescimento da cidade, no comércio e no porto, garantindo o nosso sustento e de nossos filhos.


Como nos sentimos?

- E se nós perguntarmos a você como você se sentiria se fosse visto como perigoso, junto com sua família, por morar em um lugar pobre... e pobre porque esquecido ou abandonado pelas autoridades competentes (quanta competência em marginalizar e excluir!)? Como você se sentiria? E se o esgoto estourado ano após ano no portão de tua casa te lembrasse todo dia que "os poderosos não tão nem aí pra o jeito como você vive"? Mas eles querem seu voto...
Apesar disso, não nos sentimos humilhados! Somos os trabalhadores e as trabalhadoras que fazem a multidão de ambulantes no Centro do Recife, no Recife Antigo e até, ali, vendendo cachorro quente ou caldo-de-cana a quem vai resolver alguma bronca na prefeitura da cidade... Nós construímos junto com você esta cidade! E sabemos disto...


O que queremos?

- Respeito. Queremos respeito porque todas as relações entre pessoas humanas devem começar pelo respeito para que, no dia-a-dia, sejam relações de cooperação, solidariedade, entendimento e partilha... O respeito nos faz não ignorar a dignidade do outro, não desprezar sua história e não tratá-lo como quem pode (ou deve...) ser enganado, submetido, dominado, silenciado, afastado. Se existisse respeito, antes de pensar em "crime", quando se ouvisse falar em "favela", cada cidadão pensaria em outros cidadãos, em gente, vivendo suas vidas com grandes dificuldades e lutando para melhorar suas condições de vida e de sua comunidade... Aí, perguntamos: se minha comunidade melhora a sua também não vai melhorar?
Pois é... na melhoria de nossas vidas está a melhoria de muita coisa que faz a cidade melhor. E na consciência das pessoas de que se todos vivem melhor o Mundo se torna melhor está o começo do caminho (que a gente já faz ao caminhar!) de mais Justiça e da Paz.


E, então, como seguiremos?

- Alguém já disse que "o caminho se faz ao andar" e a gente acredita nisso! Mas tem que se saber por onde se anda, como se anda, para onde se anda e também têm horas que é pra gente não andar sozinho, andar junto... Esse andar junto é o andar da Comunidade. Ser Comunidade é isso: andar juntos para afirmar o que somos, partilhar o que sentimos, construir e conquistar o que queremos.
A Rede ParticiPilar quer ser isto: uma escola de Vida onde a gente aprende juntos a ser Comunidade. Vamos nessa?!?